Just in Time na Construção Civil, em tempos de pandemia?

Just in Time na Construção Civil, em tempos de pandemia?

ENGENHARIA CIVIL E PROCESSOS


– Olá, tudo bem?

Meu nome é Maikel Artur Besen, Diretor de Engenharia da AMC Construções.
Sou Engenheiro Civil formado pela Unisul com pós graduação em Perícias e Patologias.
Experiência em planejamento e gestão de obras. Atuando no mercado da construção civil desde 2012.

A ENG|Consult é parceira da AMC Construções em contratos que envolvem a Administração, Planejamento e Gerenciamento de Obras Habitacionais pelo sul do país.


Just in Time - Engenharia e Construção Civil


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Breve histórico:

O termo “Just in Time” significa “momento certo” ou “JIT”  e foi desenvolvido por Taiichi Ohno na década de 60. Na época o sistema foi desenvolvido e implantado para suprir as necessidades de reduzir despesas e eliminar o armazenamento interno, gerando maiores resultados e produtividade na fábrica de automóveis da Toyota.

O sistema é conhecido até os dias de hoje como: Sistema Toyota de Produção ou Lean Construction. Este possuía a funcionalidade de administrar o sistema de produção de acordo com a necessidade de diferentes insumos sem a obrigatoriedade de realizar um estoque, o JIT busca atender a necessidade da demanda instantaneamente, sem desperdícios e com qualidade perfeita.

Figura 1 (Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Taiichi_Ohno)


Em dezembro de 2019 o SARS-Cov-2, mais conhecido como Covid 19, foi identificado na cidade de Wuhan na China. E três meses depois (Fevereiro de 2020) o mesmo já atingia todos os continentes do planeta. Em Maio de 2020 o vírus já havia atingido 210 países.

Foi possível perceber que em apenas alguns meses a população mundial estava literalmente consumida pela pandemia e e a origem desse prazo, foi possivelmente estimulada pela decorrência da globalização, comercialização de insumos e serviços entre os países. Dentro do efeito do sistema “Just In Time” se exige transações com maior eficiência e num curto prazo de tempo, conceito que levou países com maior industrialização a serem atingidos primeiro, principalmente os setores industriais da Construção Civil e Obras Habitacionais.


No mesmo período, o setor da Construção Civil teve um aumento considerável em suas atividades e em contrapartida nosso setor foi um dos que menos foi atingido pelo “lockdown”. Exemplo a capital de Florianópolis, o setor teve um bloqueio de 3 semanas em abril/20 e desde então não tivemos mais paralizações.

Mas enfim, o que motiva o crescimento do setor num momento de bloqueios e sanções econômicas?

  • Criação do programa Casa Verde e Amarela;
  • Taxa Selic em 2%, assim trazendo novos investidores ao setor;
  • Taxa de financiamento podendo chegar a 4,5%a.a.;
  • Auxílios emergenciais;
  • Demanda por imóveis com áreas de lazer.

Esse crescimento não era esperado, sendo assim não houve uma preparação do mercado para este momento.

Já no mês de agosto de 2020, pode se perceber uma falta de matéria prima nas fábricas, e já na primeira compra tivemos dificuldades de receber fios de cobre para as fiações em unidades habitacionais. Desde então percebemos a rápida escassez de praticamente todos os insumos e logo tivemos aumento dos preços dos materiais. Em algumas fábricas é necessário realizar o pedido com 120 dias de antecedência, já em outras isso nem é possível, pois não há previsão da chegada.


Mas, e agora? Como o fator da falta de insumos no mercado afeta o dia a dia da construção civil? Principalmente quem trabalha com o conceito Just In Time.

Infelizmente não há mais a possibilidade de aplicarmos o conceito, hoje compramos o que o mercado oferece, com inflexíveis formas de pagamento e com prazos de recebimentos “a de se perder de vista”. Mas aqui na AMC Construções, como forma de mitigar essas dificuldades, utilizamos a ferramenta de planejamento de obras Prevision, que facilita a visualização do gestor de obras e o alinhamento entre a engenharia e o setor de compras na antecipação desses recursos.

Figura 2 (Fonte: Própria)


Num outro momento, em outro artigo, vou trazer um pouco mais detalhado as ferramentas do Prevision.


 

Como estamos agindo neste momento de aumento de preços e escassez de mercadoria?

No momento estamos agindo justamente da forma contrária ao que defende a teoria do JIT, estamos estocando para garantir o insumo em obra com o melhor valor possível. Se antes comprávamos 10 pallets de cimento por mês, agora não deixamos nosso estoque baixar de 70%, pois o prazo de entrega e valores nos forçam a tomar essa contingência.

Em outubro deste ano necessitamos comprar 72 cubas de banheiro, onde tentamos em 4 fornecedores diferentes e a resposta foi a mesma, entrega dos materiais somente no próximo ano, o que nos dava aproximadamente 120 dias a partir da implantação do pedido junto ao fabricante. Como este prazo não nos atendia tivemos que comprar 30% dos insumos em distribuidoras, desta forma pagando aproximadamente 60% mais caro.

Qual a melhor forma de gerir as obras sem deixar faltar material e garantindo o melhor preço?

A melhor solução sempre foi um bom planejamento, porém tivemos que fortalecer o setor de compras e dar subsídios para melhorias dos processos de gestão de suprimentos. E para complementar, estamos fazendo reuniões diárias para alinhar o melhor custo benefício entre prazos de entrega, qualidade e valores dos materiais. Ou seja, estamos aplicando Engenharia pela sua essência. 

Nem todos os insumos conseguimos programar com antecedência, alguns insumos como telas soldadas e insumos que envolvem cobre não possuem previsão de normalização da fabricação e entregas, sendo assim os esforços do setor de compras estão em atender com um prazo mínimo e com melhor valor, para alguns casos temos que replanejar a obra de acordo com a previsão de chegada dos materiais. Porém para a grande maioria dos insumos estamos analisando com 5 meses de antecedência, desta forma conseguindo implantar os pedidos no fabricante e garantindo o material no canteiro na hora do consumo.

 


 

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